Toda etiqueta de capacete tem uma sopa de siglas, e a maioria das pessoas ignora. Só que é ali que está a diferença entre proteção testada e isopor com pintura.

Primeiro, como um capacete funciona

São duas camadas com funções opostas.

A casca externa, de policarbonato, espalha a força do impacto por uma área maior e deixa o capacete deslizar no asfalto em vez de travar e torcer o pescoço.

O miolo de EPS, o isopor de alta densidade, é quem absorve a energia, esmagando de forma permanente. É por isso que capacete que sofreu impacto vai para o lixo mesmo parecendo inteiro: o EPS já gastou a capacidade dele e não volta.

Certificação é o teste que comprova que essas duas camadas fazem o trabalho.

EN 1078: a norma europeia

É a mais comum nos capacetes vendidos no Brasil. Testa três coisas: absorção de impacto em queda controlada, resistência do sistema de retenção, já que a alça não pode arrebentar nem escorregar, e campo de visão mínimo, para o capacete não tapar a periferia.

CPSC: a norma americana

Obrigatória para qualquer capacete vendido nos Estados Unidos. O teste de impacto é um pouco mais severo que o europeu, com altura de queda maior em algumas configurações.

Na prática, um capacete com EN 1078 ou CPSC está dentro do que a segurança pede. Ter as duas é comum e não é sinal de nada especial.

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MIPS: por que não é certificação

MIPS é tecnologia proprietária, não norma. É uma camada amarela deslizante entre a cabeça e o EPS, que permite alguns milímetros de movimento rotacional no impacto.

Por que a rotação importa

Os testes tradicionais medem impacto reto, de cima para baixo. Só que ninguém cai assim. Queda de bicicleta é quase sempre oblíqua: você bate de raspão, e a cabeça gira. Essa rotação é o que mais se associa a lesão cerebral, e é justamente o que o teste de norma não media.

O MIPS existe para essa lacuna. Não substitui certificação, soma a ela.

O que a certificação não cobre

Vale saber onde o teste termina, para não confiar demais no selo.

A norma testa um impacto, em pontos definidos, com o capacete novo. Ela não mede o que acontece no segundo impacto da mesma queda, nem em capacete que já envelheceu.

E o EPS envelhece. Suor, calor do carro parado no sol e o próprio tempo vão reduzindo a capacidade de absorção. Fabricantes costumam indicar troca a cada três a cinco anos de uso regular, mesmo sem nenhuma queda.

Também não se testa ajuste. Um capacete certificado, na cabeça errada ou frouxo, protege muito menos do que o número na etiqueta promete.

Onde olhar antes de comprar

A etiqueta fica colada por dentro, no EPS. Deve trazer a norma, o fabricante, o tamanho e a data de fabricação. Se não tem etiqueta, não tem teste.

Desconfie de anúncio que fala em "alta proteção" ou "material resistente" sem citar norma nenhuma. Quem tem certificação escreve o número dela.

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Perguntas frequentes

MIPS vale o dinheiro a mais?

Se o orçamento permite, sim. A maioria das quedas de bicicleta é oblíqua, e é exatamente a rotação que o MIPS reduz. Mas um capacete certificado sem MIPS protege muito mais que nenhum capacete.

EN 1078 ou CPSC, qual é melhor?

As duas são normas sérias. A CPSC tem teste de impacto um pouco mais severo, a EN 1078 exige mais do campo de visão e do sistema de retenção. Um capacete com qualquer uma das duas está dentro.

Como sei se o capacete é certificado?

A etiqueta fica colada por dentro, junto do EPS. Deve trazer a norma, o fabricante e o tamanho. Sem etiqueta, não compre.

Capacete sem certificação protege um pouco?

Ele pode até ter EPS por dentro, mas ninguém testou se a densidade e a espessura absorvem o impacto de uma queda real. Você estaria apostando.

Resumindo

Certificação é o mínimo, e não é negociável. MIPS é um plus que faz sentido se couber no orçamento. E capacete que sofreu impacto se troca, sempre.

Para tamanho e tipo de pedal, veja o guia completo de capacete. Para montar o resto, o kit essencial.